Como diria meu
avô em sua linguagem peculiar – “Certa feita o grande filósofo e pensador francês,
Jean Paul Sartre, disse por seu personagem, Antoine Roquentin( A Náusea) ,que
gostaria que a vida fosse como a música”. Sendo o sentido de tal afirmação sem
nenhuma relação com estilos musicais, pois se assim o fosse, e mais
especificamente aqui em Salvador, haveria um levante de manifestações em defesa
de suas preferências e gostos, que jamais chegaríamos num consenso sobre qual
música deveríamos ser, caso fosse essa a visão de Sartre.
Enquanto uns
gostariam de ser como o arrocha, outros, axé, muitos rock, forró e tantos
outros que ganharam a derivação universitária, como o arrocha universitário, o
forró universitário e por aí vai, quando na verdade, a luz do que afirmou o
intelectual, a vida devia ser harmoniosa para que seus momentos fossem iguais
as notas de uma bela música. Nada mais belo do que você NÃO ser rotulado ou estereotipado
pelo simples fato de ser baiano da cidade de Salvador, podendo ter orgulho de
nascer num lugar considerado por muitos como a vanguarda da cultura nacional,
seleiro de figuras consagradas com reconhecimento internacional e não seguir tendências
estritamente locais, ou seguir, e o mais importante, aceitar que cada indivíduo
constrói sua identidade, como o próprio Sartre diz que somos o ser Para-si, e a
nossa existência precede a nossa essência, ou seja, construímos nossa essência à
medida que existimos no mundo. Não somos iguais, temos a liberdade e a
possibilidade de fazer escolhas distintas.
A música
baiana é uma prova disso, aqui temos adeptos do rock de Raul Seixas e suas
baladas genuinamente existencialistas, que demonstram que o artista bebeu da
fonte das ideias de Sartre em letras como “Eu sou, eu fui, eu sou” e “ eu
prefiro ser essa metamorfose ambulante” até
hits virais de verão das bandas de axé como o Lepo Lepo da banda Psirico.
Afinal, alguém
seria capaz de afirmar qual a identidade cultural do povo soteropolitano? Não
vou me aprofundar em contar da colonização pelos portugueses e que os índios já
habitavam este lugar, porém, naturalmente, se o que diz na música, que a Bahia
é uma extensão do território africano, podemos entender que aqui é um pedaço ou
parte da África. E por todos esses eventos, em tudo e em parte, somos fruto
dessa mistura, e encontramos seja nos costumes e tradições, na religião ou na
arte, ou até mesmo na culinária, representações dessa herança.
Porém, a
caricatura de que todo baiano é capoeirista, gosta de batuque e é fã das bandas
de axé habita o imaginário popular de tal forma , que é como uma guerra tentar
desconstruir essa ideia de que todos são iguais.
Cada um faz
sua história, além disso, não nascemos prontos, somos diferentes, e livres para
criar a essência de nossa existência, “todo homem está condenado a ser livre”.Portanto,
na terra onde há uma diversidade musical muito grande, e a música é uma das
formas de manifestação cultural mais expressiva, deve-se evitar ideologias
extremistas, bem como a intolerância , e sim celebrar o fato de que pelo menos
teoricamente em Salvador exercemos nossa cidadania de forma a misturar diversos
estilos musicais.

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