sexta-feira, 16 de maio de 2014

Gitá ou Lepo Lepo, O Ser e o Nada.

Como diria meu avô em sua linguagem peculiar – “Certa feita o grande filósofo e pensador francês, Jean Paul Sartre, disse por seu personagem, Antoine Roquentin( A Náusea) ,que gostaria que a vida fosse como a música”. Sendo o sentido de tal afirmação sem nenhuma relação com estilos musicais, pois se assim o fosse, e mais especificamente aqui em Salvador, haveria um levante de manifestações em defesa de suas preferências e gostos, que jamais chegaríamos num consenso sobre qual música deveríamos ser, caso fosse essa a visão de Sartre.
Enquanto uns gostariam de ser como o arrocha, outros, axé, muitos rock, forró e tantos outros que ganharam a derivação universitária, como o arrocha universitário, o forró universitário e por aí vai, quando na verdade, a luz do que afirmou o intelectual, a vida devia ser harmoniosa para que seus momentos fossem iguais as notas de uma bela música. Nada mais belo do que você NÃO ser rotulado ou estereotipado pelo simples fato de ser baiano da cidade de Salvador, podendo ter orgulho de nascer num lugar considerado por muitos como a vanguarda da cultura nacional, seleiro de figuras consagradas com reconhecimento internacional e não seguir tendências estritamente locais, ou seguir, e o mais importante, aceitar que cada indivíduo constrói sua identidade, como o próprio Sartre diz que somos o ser Para-si, e a nossa existência precede a nossa essência, ou seja, construímos nossa essência à medida que existimos no mundo. Não somos iguais, temos a liberdade e a possibilidade de fazer escolhas distintas.
A música baiana é uma prova disso, aqui temos adeptos do rock de Raul Seixas e suas baladas genuinamente existencialistas, que demonstram que o artista bebeu da fonte das ideias de Sartre em letras como “Eu sou, eu fui, eu sou” e “ eu prefiro ser essa metamorfose ambulante”  até hits virais de verão das bandas de axé como o Lepo Lepo da banda Psirico.
Afinal, alguém seria capaz de afirmar qual a identidade cultural do povo soteropolitano? Não vou me aprofundar em contar da colonização pelos portugueses e que os índios já habitavam este lugar, porém, naturalmente, se o que diz na música, que a Bahia é uma extensão do território africano, podemos entender que aqui é um pedaço ou parte da África. E por todos esses eventos, em tudo e em parte, somos fruto dessa mistura, e encontramos seja nos costumes e tradições, na religião ou na arte, ou até mesmo na culinária, representações dessa herança.
Porém, a caricatura de que todo baiano é capoeirista, gosta de batuque e é fã das bandas de axé habita o imaginário popular de tal forma , que é como uma guerra tentar desconstruir essa ideia de que todos são iguais.


Cada um faz sua história, além disso, não nascemos prontos, somos diferentes, e livres para criar a essência de nossa existência, “todo homem está condenado a ser livre”.Portanto, na terra onde há uma diversidade musical muito grande, e a música é uma das formas de manifestação cultural mais expressiva, deve-se evitar ideologias extremistas, bem como a intolerância , e sim celebrar o fato de que pelo menos teoricamente em Salvador exercemos nossa cidadania de forma a misturar diversos estilos musicais.   

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